
foto: luis azevedo
Quando ma apresentaram, eu não tive medo, acho que nem sabia bem do que se tratava, ou então sabia mas não queria saber. Também não foi curiosidade, sempre houve coisas que me moviam mais do que este assunto, que sinceramente até aquela altura, me passava ao lado. Foi porque eu sabia que me iria cruzar com ela, mais cedo ou mais tarde. Todos evocavam o seu nome, a cada instante ela parecia presente, sem eu entender porquê o seu poder foi crescendo em mim, mesmo antes de a conhecer. O seu nome não digo, afinal falam-me de exposições de vidas em sites de internet, como este nosso canto, mas minha amiga, ela dispensa apresentações…
E na primeira noite que saí com ela, tudo foi diferente, deixei-me levar pela sua sedução e grandeza e soube que as minhas noites já não seriam as mesmas se ela não estivesse presente. E o medo, só nasceu aí…
Ao dia seguinte foi como se me tivessem cortado as asas, uma tristeza profunda, que não sabia explicar de onde vinha. Quis escrever sobre ela, mas nem a sabia definir, nem explicar o que me tinha feito sentir. O que me preocupava era encontrá-la outra vez, para me sentir bem. Mas como nem todos os dias são dias de festa, aguardei pacientemente o fim-de-semana, e é assim até hoje, e olha que já lá vai mais de um ano de excessos, porque eu dou-lhe a mão e ela leva-me muito longe. Sabes que eu sou daquelas pessoas que gostam de ir até ao limite, a linha ténue entre mim e o abismo faz-se próxima cada fim-de-semana, no entanto sinto borboletas esvoaçarem no estômago só de ouvir o seu nome. A perdição está já ao virar da esquina, quando damos por ela o fim-de-semana começa à quinta e acaba à quarta. Nem nos apercebemos bem do caminho que estamos a levar, e quando damos por ela já estamos muito longe de casa. Porque apesar da sua grandeza, ela também consegue passar desapercebida e transformar-se na nossa rotina, e nós nem nos apercebemos até já ser tarde, e não haver maneira de voltar. Mas o maior prazer dela é esse risco, esse risco que corremos cada vez que a encontramos no nosso caminho, não há maneira de fugir, as nossas vontades traem-nos sempre na hora da verdade. Porque todas as nossas vontades vão dar a ela… Ou consegues prometer-te hoje a ti mesma que nunca mais irás em sua procura?! Eu não… E não é por isso que sou fraca, senão fracos seríamos todos, porque hoje em dia, ela está em qualquer parte, o que é deveras assustador, se pararmos a pensar no assunto.
A de 18.
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